Leio a entrevista de José Saramago ao DN de hoje. Independentemente de concordarmos ou não com a sua posição - e neste caso concreto, concordo -, creio que é devido a Saramago o respeito que a sua honestidade merece, sobretudo num país onde ainda parece vingar a ideia de "respeitinho" herdada da materialização política ditatorial de uma tendência nacional para a hetero-vigilância moral.
Afirma Saramago, a respeito das aparições em Fátima: "Não percebia como é que a Virgem aparecia em cima de uma azinheira para dar um recado divino a três miúdos analfabetos. Acho que tudo isso foi uma montagem que continua a render". Há grande dúvida de que, no mundo, é sobretudo entre as franjas mais desprotegidas que a ideia de Deus e de Catolicismo vinga?... As estatísticas são, a este respeito, taxativas. E, sobretudo, é necessário afirmar desassombradamente a inacreditável incoerência entre um credo promovido com o princípio do despojo material da recusa de falsos deuses, e a prática de uma Igreja Católica que projecta no seu deus a ética de um banqueiro.
Saramago aponta, aliás, a falência da prática de um credo conceptualmente insustentável quando afirma "quando se entra em leituras históricas e se encontra com o desastre, digamos, do alargamento da influência do cristianismo, que isso custou cidades destruídas, milhares de pessoas mortas, assassinadas, degoladas, queimadas… As Cruzadas foram qualquer coisa que a Igreja devia pedir perdão! As Cruzadas, imediatamente idealizadas com esse absurdo de avançarem contra os inimigos aos gritos. Que sabem eles de Deus? Fiz essa pergunta a um teólogo há pouco tempo: o que é que sabem de Deus, afinal de contas? Não sabem nada, alguém um dia disse que Deus existe e depois os teólogos não têm feito outra coisa senão armar o andaime para que essa ideia se sustenha".
De igual modo na passagem "aquilo que ultrapassa a minha capacidade de compreensão é o facto de que, se houvesse Deus, seria apenas um único Deus (...) mas não é isso que se passa, cada igreja só pensa em derrotar a outra e cada religião só pensa em derrotar a outra. E foi o que se fez: os protestantes, os albigenses, os valdenses perseguidos, enforcados em França".
No entanto, mesmo perante o argumento (clássico) de que são homens (aqui com letra pequena consciente, dado que à mulher não é, habitualmente, conferido pela Igreja outro papel que não o de figurante, ou de actor principal de conduta condenável...) a interpretar mal deus, algumas respostas são devidas, em coerência e honestidade intelectual:
1) se falamos apenas de interpretações humanas de deus, por que raio deveremos tomar tais interpretações como dogmas e doutrina a seguir?
2) se falamos apenas de interpretações humanas de deus, porque não é a sua suposta omnipotência capaz de obstar a essas interpretações erradas?
3) se falamos apenas de interpretações humanas de deus, que lugar ocupam as consequências dessas interpretações erradas no seu "grande plano"?
4) se falamos apenas de interpretações humanas de deus, por que razão são os seus agentes os condutores da sua palavra?
5) se falamos apenas de interpretações humanas de deus, e se o seu livro é uma metáfora, porque deve ela ser relativizada e perdoada nas suas asneiras, e outras metáforas (como as de Saramago) perseguidas e recusadas enquanto tal, ou lidas literalmente quando ao livro de deus isso não é exigido?
A estas coisas, em paralelo, acrescenta Saramago que "se a leitura da Bíblia, tal qual ela se apresenta aos olhos de qualquer pessoa, não pode ou deve ser lida assim e se há que levar em conta as leituras simbólicas, então, repito, estão obrigados a colocar ao lado de cada pessoa que esteja a ler a Bíblica um teólogo que oriente essa leitura, para que não caia na tentação, parece que primária e ingénua, de tomar à letra o que lá está".
Continua a parecer-me depois deste episódio - mas já na sequência de outros - que parte da população de Portugal parece co-habituar com a consciência de uma espécie de síntese de Salazar e Cerejeira interiorizada. Pior que o moralismo da crítica ao livre arbítrio e e livre exercício de consciência própria, só o facto de essa crítica parecer saltar apenas quando outros agem, mantendo-se caricatamente silenciosa quando se trata de conduta própria, como se o crime não fosse a prática em si mas o facto de ser prática de outrém. Portugal, nestas coisas de opinar, ainda (re)age como se de um imenso pátio se tratasse, onde o moralismo vive apenas na nossa casa e o pecado em todas as outras.
domingo, 25 de Outubro de 2009
Princípios de desigualdade (1)
Acabo de ler no DN esta pérola da igualdade entre cidadãos e instituições, e sobretudo, entre cidadãos e Estado. Mais grave que a impunidade decorrente de a PSP aplicar "uma punição equivalente a zero" a um superintendente acusado de peculato, abuso de poder, favorecimentos pessoais e desvio de milhares de euros da instituição, só mesmo o facto de elementos da PSP e também sindicalistas (particularmente no caso destes últimos...) acusarem a corporação de ter "uma lei interna mais leve para oficiais e pesada para agentes e subchefes", em vez de a acusarem de aplicar uma lei aos cidadãos e outra aos membros da corporação... Diz algo sobre uma certa visão do favorecimento interno como uma inerência...
sábado, 24 de Outubro de 2009
Vasco Pulido Valente em "Saramago-tem-um-nobel-mas-o-único-português-inteligente-sou-eu"
Começo por indicar o nome que vale a pena dar à coluna de opinião de Vasco Pulido Valente - sim, infelizmente, há jornais em Portugal que ainda consideram boa ideia gastar tinta e cilindros com o seu quixotismo... - e que não podia ser outro que não ..."O-Saramago-tem-um-nobel-mas-o-único-português-inteligente-sou-eu". Descrevo porquê nos comentários abaixo.
Em primeiro lugar, para homem (com letra muito pequenina) auto-proclamado "inteligente", VPV comete demasiados erros na reconstituição histórica do debate (pré-)Modernidade vs Catolicismo. Não é ao séc. XIX que remontam as réplicas de Saramago face a postulados comportamentais de origem eclesiástica, mas sim aos sés. XIV e XV. Talvez se VPV utilizasse em leituras algum do tempo que emprega a contemplar a qualidade intelectual do cotão do próprio umbigo aprendesse alguma coisa. Ainda é tempo disso, mesmo considerando que a sua idade pode também, com legitimidade, ser considerada prenúncio da sua senilidade, à semelhança do que deselegantemente afirma em relação a Saramago.
Em segundo lugar, e como segundo exercício de estupidez e de falta de sentido auto-crítico, não deixa de ser de extrema comicidade que VPV - e sobretudo VPV - apelide de "zangado" qualquer outro ser humano em Portugal, mesmo sobre ele projectando a lisonja de tal caracter. É certo que é necessária uma pessoa zangada com o mundo para reconhecer outra, e sobre isso bastaria ler as suas crónicas - prática que desaconselho vivamente, mesmo enquanto objecto de análise de conteúdo.
Em terceiro lugar, como VPV sabe mas mal educadamente esquece, as expectativas são também uma variável do percurso académico. E nesse particular, curiosamente, até é ao próprio VPV que fica muito mal fazer da sua suposta superioridade intelectual utilização tão medíocre plasmada no insulto - ele sim - típico de "trolha" ou de "semianalfabeto". E já agora, Vasco, só porque sim, era bom repor o hífen ausente neste último vocábulo, contingência certamente da forma como as mentes superiores se encontram isentas de respeitar esta coisa vulgar e mundana chamada correcção ortográfica. Para além de privar-nos de algo que valha realmente a pena ler nas suas crónicas, privar também o leitor de uma escrita decente é, parece-me, demasiado.
Em quarto lugar, concordamos realmente numa ideia, Vasco: "não há desculpa para o país" que perde tempo a dar crédito ao que diz.
Em quinto lugar, creio ser "inteligente" e de cidadão que "leu o que devia ter lido" dar crédito a quem o merece: se "Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada", algo deram ao mundo que o Vasco, na inexistência da propriedade de tal galardão, não deu. A menos que exista um Nobel para a azia, mas mesmo o da Química normalmente escolhe pessoas mais nobres que o Vasco. Temos pena: a mesma "muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita" soube, pelo menos, escolher entre a literatura que acrescenta, e a sua, que a outra companhia não pode aspirar que a do peixe ou das castanhas, e mesmo essa apenas transitoriamente: até o peixe e as castanhas têm o seu critério, honra lhes seja feita.
Finalmente, em sexto lugar, é certo que "o regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha". Creio que é precisamente a esse princípio que o Vasco deve o seu tempo de antena. Talvez a substituição tecnológica das antenas pelo cabo, e depois pela fibra, seja uma metáfora a que o Vasco deva dedicar alguma reflexão. Precisamente como afirma, "nem por caridade cristã", nem por qualquer outra, é possível tolerá-lo por muito mais tempo, mesmo considerando que a cristã até costuma ter duração superior, em virtude da sua capa de gnoseológico masoquismo. Com efeito, se pode ser tarefa hercúlea "explicar a mediocridade a um medíocre", a boçalidade do intelectual enfadado é, de entre os seus "dotes de educação", e muito mais que a primeira, de supressão prática impossível. Se não tem algo a acrescentar de relevante, conceda-nos, por favor, o benefício do seu silêncio.
Em primeiro lugar, para homem (com letra muito pequenina) auto-proclamado "inteligente", VPV comete demasiados erros na reconstituição histórica do debate (pré-)Modernidade vs Catolicismo. Não é ao séc. XIX que remontam as réplicas de Saramago face a postulados comportamentais de origem eclesiástica, mas sim aos sés. XIV e XV. Talvez se VPV utilizasse em leituras algum do tempo que emprega a contemplar a qualidade intelectual do cotão do próprio umbigo aprendesse alguma coisa. Ainda é tempo disso, mesmo considerando que a sua idade pode também, com legitimidade, ser considerada prenúncio da sua senilidade, à semelhança do que deselegantemente afirma em relação a Saramago.
Em segundo lugar, e como segundo exercício de estupidez e de falta de sentido auto-crítico, não deixa de ser de extrema comicidade que VPV - e sobretudo VPV - apelide de "zangado" qualquer outro ser humano em Portugal, mesmo sobre ele projectando a lisonja de tal caracter. É certo que é necessária uma pessoa zangada com o mundo para reconhecer outra, e sobre isso bastaria ler as suas crónicas - prática que desaconselho vivamente, mesmo enquanto objecto de análise de conteúdo.
Em terceiro lugar, como VPV sabe mas mal educadamente esquece, as expectativas são também uma variável do percurso académico. E nesse particular, curiosamente, até é ao próprio VPV que fica muito mal fazer da sua suposta superioridade intelectual utilização tão medíocre plasmada no insulto - ele sim - típico de "trolha" ou de "semianalfabeto". E já agora, Vasco, só porque sim, era bom repor o hífen ausente neste último vocábulo, contingência certamente da forma como as mentes superiores se encontram isentas de respeitar esta coisa vulgar e mundana chamada correcção ortográfica. Para além de privar-nos de algo que valha realmente a pena ler nas suas crónicas, privar também o leitor de uma escrita decente é, parece-me, demasiado.
Em quarto lugar, concordamos realmente numa ideia, Vasco: "não há desculpa para o país" que perde tempo a dar crédito ao que diz.
Em quinto lugar, creio ser "inteligente" e de cidadão que "leu o que devia ter lido" dar crédito a quem o merece: se "Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada", algo deram ao mundo que o Vasco, na inexistência da propriedade de tal galardão, não deu. A menos que exista um Nobel para a azia, mas mesmo o da Química normalmente escolhe pessoas mais nobres que o Vasco. Temos pena: a mesma "muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita" soube, pelo menos, escolher entre a literatura que acrescenta, e a sua, que a outra companhia não pode aspirar que a do peixe ou das castanhas, e mesmo essa apenas transitoriamente: até o peixe e as castanhas têm o seu critério, honra lhes seja feita.
Finalmente, em sexto lugar, é certo que "o regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha". Creio que é precisamente a esse princípio que o Vasco deve o seu tempo de antena. Talvez a substituição tecnológica das antenas pelo cabo, e depois pela fibra, seja uma metáfora a que o Vasco deva dedicar alguma reflexão. Precisamente como afirma, "nem por caridade cristã", nem por qualquer outra, é possível tolerá-lo por muito mais tempo, mesmo considerando que a cristã até costuma ter duração superior, em virtude da sua capa de gnoseológico masoquismo. Com efeito, se pode ser tarefa hercúlea "explicar a mediocridade a um medíocre", a boçalidade do intelectual enfadado é, de entre os seus "dotes de educação", e muito mais que a primeira, de supressão prática impossível. Se não tem algo a acrescentar de relevante, conceda-nos, por favor, o benefício do seu silêncio.
sábado, 29 de Agosto de 2009
Outro exemplo de Jornalismo social e racialmente irresponsável
Não é a primeira vez que uma peça noticiosa redigida por Daniel Lam me retém a atenção e, à semelhança da situação anterior em que tal sucedeu, fá-lo hoje pelas piores razões.
Mais uma vez, Daniel Lam insiste em apresentar uma peça pouco fundamentada em factos e, pior que isso, com um tom levemente xenófobo que é inaceitável em Jornalismo sério e ideologicamente descomprometido.
Afirmar, como o faz, que "Quatro dezenas de africanos" se envolveram "à pancada" é, para além de uma utilização medíocre da Língua Portuguesa que nivela por baixo o jornal em que trabalha (DN), de uma generalização xenofobizada inaceitável. Em que se baseou para fazer essa afirmação: na cor da pele? Serão europeus e asiáticos todos os passageiros brancos que viajam nas carruagens da CP?
Pior que a natureza ideológica da afirmação, só mesma a sua falta de fundamentação factual: para a fazer, Daniel Lam baseia-se neste facto inatacável e de uma conduta jornalística ímpar: "As versões dos acontecimentos são ainda pouco consistentes (...) Fala-se de dois grupos rivais de guineenses e cabo-verdianos (...)". Estamos, portanto, não apenas no domínio do olhar jornalístico eticamente desviado, mas tecnicamente incompetente e apoiado exclusivamente no rumor.
Numa era em que, erradamente, se preconiza o fim do Jornalismo e da importância dos seus agentes como os conhecemos, era bom que todos os seus profissionais remassem para o lado certo, apresentando trabalho que justifique o título que ostentam, o acesso privilegiado de que beneficiam, e a confiança que lhes é atribuída pelos cidadãos.
Mais uma vez, Daniel Lam insiste em apresentar uma peça pouco fundamentada em factos e, pior que isso, com um tom levemente xenófobo que é inaceitável em Jornalismo sério e ideologicamente descomprometido.
Afirmar, como o faz, que "Quatro dezenas de africanos" se envolveram "à pancada" é, para além de uma utilização medíocre da Língua Portuguesa que nivela por baixo o jornal em que trabalha (DN), de uma generalização xenofobizada inaceitável. Em que se baseou para fazer essa afirmação: na cor da pele? Serão europeus e asiáticos todos os passageiros brancos que viajam nas carruagens da CP?
Pior que a natureza ideológica da afirmação, só mesma a sua falta de fundamentação factual: para a fazer, Daniel Lam baseia-se neste facto inatacável e de uma conduta jornalística ímpar: "As versões dos acontecimentos são ainda pouco consistentes (...) Fala-se de dois grupos rivais de guineenses e cabo-verdianos (...)". Estamos, portanto, não apenas no domínio do olhar jornalístico eticamente desviado, mas tecnicamente incompetente e apoiado exclusivamente no rumor.
Numa era em que, erradamente, se preconiza o fim do Jornalismo e da importância dos seus agentes como os conhecemos, era bom que todos os seus profissionais remassem para o lado certo, apresentando trabalho que justifique o título que ostentam, o acesso privilegiado de que beneficiam, e a confiança que lhes é atribuída pelos cidadãos.
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
A monarquia: uma anedota sem piada
Custa-me escrever este post com uma cara séria. Reconheço-o assim, a frio, sem problemas de consciência.
Há alguns dias, meia dúzia de adultos com idade para terem juízo e, mais importante, algum sentido de ridículo, resolveram cometer um crime para defender uma causa ideológica: entraram indevidamente num edifício público, durante a noite, e roubaram a bandeira nele existente, substituindo-a por uma outra, mais afecta ao seu posicionamento ideológico.
Pela segunda vez no espaço de alguns anos, algumas vozes se levantam a defender o roubo como forma de expressão, desvalorizando-o com tudo e um par de botas, como se fosse defensável. Primeiro, alguns "jovens" em férias num outro país Europeu quiseram "fazer a gracinha" de trazer como "recordação" a bandeira do mesmo. Foram acusados em tribunal. Mas em Portugal, esse belo país onde a lei é (como apontava Jorge Sampaio há algum tempo atrás) uma "referência" que alguns cidadãos decidem depois se respeitam ou não, não faltou quem quisesse desculpar os pobres petizes, que "não sabiam" que não deviam roubar, que "não fizeram por mal", que tudo era "um exagero".
Agora, adultos que agem como crianças mal-formadas e mal-educadas, mesmo quando ostentam apelidos pomposos como Burnay, Moita de Deus, ou Távora, afirmam que nada de grave se passou, e que, na sua imensa simpatia, até estão dispostos a devolver a bandeira roubada, como se tudo isto fosse apenas o comportamento de miúdos mariolas inconsequentes.
Já é de uma parvoíce incomensurável fazer a defesa da Monarquia, mesmo que Constitucional, em Portugal; mas é de uma falta de vergonha intelectual e histórica faze-lo argumentando ser essa a "vontade dos portugueses": quer seja porque "os portugueses" não se reduzem ao exército de empregados e empregadas que servem estes "amorosos patifes" ou ao círculo de amigos em que acreditam piamente ser politicamente relevantes, quer seja afirmando que essa defesa tem subjacente a ideia de Liberdade, num país onde ela teve de ser recuperada há 99 anos, pondo fim a uma sequência de séquitos caducos que exploravam as riquezas nacionais por capricho.
Colocar "liberdade" e "monarquia" na mesma frase só é possível em três circunstâncias: 1) se uma delas tiver associada uma negativa; 2) se o porta-voz não tiver tomado o seu lítio pela manhã; 3) se, como afirma um dos "cómicos" do "movimento" (até porque conotar a Monarquia com qualquer tipo "movimento" faz imenso sentido...), "o sentido de humor é a melhor propaganda que a Monarquia poderia ter"... Eu diria que é mesmo o único meio onde pode ter algum sucesso: como número de stand-up... Com o tema "I started a joke" como fundo...
O que gostaria mesmo era de ver estes ilustres "paladinos da liberdade" a aplicar à pequena criminalidade, sobretudo àquela (infelizmente) praticada por cidadãos imigrantes, esta leviandade na desvalorização da prática de um crime...
Por último, e nem que fosse por decoro e inteligência, era bom que Nuno Ramos de Almeida reconhecesse que o roubo de uma bandeira de um edificio público não é bem o mesmo que "determinadas coisas que não são crimes: greves, manifestações, cortes de estrada e mudanças de bandeira": estes, a Lei permite e enquadra...
Há alguns dias, meia dúzia de adultos com idade para terem juízo e, mais importante, algum sentido de ridículo, resolveram cometer um crime para defender uma causa ideológica: entraram indevidamente num edifício público, durante a noite, e roubaram a bandeira nele existente, substituindo-a por uma outra, mais afecta ao seu posicionamento ideológico.
Pela segunda vez no espaço de alguns anos, algumas vozes se levantam a defender o roubo como forma de expressão, desvalorizando-o com tudo e um par de botas, como se fosse defensável. Primeiro, alguns "jovens" em férias num outro país Europeu quiseram "fazer a gracinha" de trazer como "recordação" a bandeira do mesmo. Foram acusados em tribunal. Mas em Portugal, esse belo país onde a lei é (como apontava Jorge Sampaio há algum tempo atrás) uma "referência" que alguns cidadãos decidem depois se respeitam ou não, não faltou quem quisesse desculpar os pobres petizes, que "não sabiam" que não deviam roubar, que "não fizeram por mal", que tudo era "um exagero".
Agora, adultos que agem como crianças mal-formadas e mal-educadas, mesmo quando ostentam apelidos pomposos como Burnay, Moita de Deus, ou Távora, afirmam que nada de grave se passou, e que, na sua imensa simpatia, até estão dispostos a devolver a bandeira roubada, como se tudo isto fosse apenas o comportamento de miúdos mariolas inconsequentes.
Já é de uma parvoíce incomensurável fazer a defesa da Monarquia, mesmo que Constitucional, em Portugal; mas é de uma falta de vergonha intelectual e histórica faze-lo argumentando ser essa a "vontade dos portugueses": quer seja porque "os portugueses" não se reduzem ao exército de empregados e empregadas que servem estes "amorosos patifes" ou ao círculo de amigos em que acreditam piamente ser politicamente relevantes, quer seja afirmando que essa defesa tem subjacente a ideia de Liberdade, num país onde ela teve de ser recuperada há 99 anos, pondo fim a uma sequência de séquitos caducos que exploravam as riquezas nacionais por capricho.
Colocar "liberdade" e "monarquia" na mesma frase só é possível em três circunstâncias: 1) se uma delas tiver associada uma negativa; 2) se o porta-voz não tiver tomado o seu lítio pela manhã; 3) se, como afirma um dos "cómicos" do "movimento" (até porque conotar a Monarquia com qualquer tipo "movimento" faz imenso sentido...), "o sentido de humor é a melhor propaganda que a Monarquia poderia ter"... Eu diria que é mesmo o único meio onde pode ter algum sucesso: como número de stand-up... Com o tema "I started a joke" como fundo...
O que gostaria mesmo era de ver estes ilustres "paladinos da liberdade" a aplicar à pequena criminalidade, sobretudo àquela (infelizmente) praticada por cidadãos imigrantes, esta leviandade na desvalorização da prática de um crime...
Por último, e nem que fosse por decoro e inteligência, era bom que Nuno Ramos de Almeida reconhecesse que o roubo de uma bandeira de um edificio público não é bem o mesmo que "determinadas coisas que não são crimes: greves, manifestações, cortes de estrada e mudanças de bandeira": estes, a Lei permite e enquadra...
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
"Falar Verdade"
Infelizmente, em Portugal, há de facto custos eleitorais associados ao exercício da actividade política dado que, entre outras razões, os eleitores não apenas têm uma memória curtíssima como incorrem no disparate recorrente de avaliar pessoas por rumores e não por carácter, pelo discurso e pela caneta oferecida em vez do rigor do desempenho e do seu impacto.
Independentemente do timing pouco inocente sempre associado a eventos e decisões de natureza política e judicial em Portugal - e só sobre isto poderiam ser escritas teses, e não posts... - assistimos nos últimos dias a uma inversão da tendência crescente do PSD sobre o PS, resposta provável do embaraço gerado junto deste último pelos contornos do convite-que-não-o-foi a uma destacada militante do Bloco de Esquerda.
No espaço de uma semana, custou ao PS algum crédito uma tentativa frustrada de sedução de uma militante de outro partido. E se até poderia ser encarado como um sinal de abertura e de reconhecimento de competência a alguém fora do seu quadrante político, ficam nuances extremamente negativas dessa iniciativa: primeiro, o facto de não ter sido assumido como tal (e quanto a "transparência" estamos conversados); segundo, o facto de parecer estar associado a uma forma sub-reptícia de exercício de influência sobre a agenda do partido originário dessa militante; terceiro, o facto de o convite ser feito a troco de um apoio eleitoral, e não pós-eleitoral; quarto, o facto de parecer apontar a uma militante cronicamente pouco esclarecida nos seus princípios e preferências ideológicas.
Mas eis que - e aqui regressamos à "inocência" do timing, o PSD se vê privado de qualquer benefício daí resultante, por culpa própria mas também por culpa de outrém. Primeiro, a sentença de Isaltino Morais, justamente apontado por Marques Mendes (ainda que de forma não explícita) como um dos casos de falta de ética e de respeito pela Lei (agravado por se tratar de um ex-magistrado, o que é em si mesmo extremamente significativo do estado da Justiça em Portugal), e a cuja conduta e eventuais repercussões na constituição das listas do PSD a melhor resposta dada por Manuela Ferreira Leite foi um não-me-obriguem-a-tomar-posições-sérias-para-não-me-cair-a-máscara traduzido num ridículo "a época de constituição de listas não é a altura certa para pensar em quem tem, na realidade, carácter para fazer parte de listas". Apetece perguntar-lhe que timing melhor conhece mas descobrimos depois que essa patética reacção se prendia com a imposição, por si colocada, de nomes de dois arguidos à lista do PSD por Lisboa (e quanto a "falar verdade" também aqui estamos conversados).
Mário Soares afirma recentemente que a escolha entre os dois partidos de centro não é um acto de discriminação política, mas uma atitude de realismo. Apetece responder ser essa, provavelmente, a razão pela qual a política em Portugal se tornou o nojo que hoje constitui. Com os exemplos dados por ambos, PSD e PS, não admira que "falar verdade" e ser "transparente" tenham deixado de ser critério.
Independentemente do timing pouco inocente sempre associado a eventos e decisões de natureza política e judicial em Portugal - e só sobre isto poderiam ser escritas teses, e não posts... - assistimos nos últimos dias a uma inversão da tendência crescente do PSD sobre o PS, resposta provável do embaraço gerado junto deste último pelos contornos do convite-que-não-o-foi a uma destacada militante do Bloco de Esquerda.
No espaço de uma semana, custou ao PS algum crédito uma tentativa frustrada de sedução de uma militante de outro partido. E se até poderia ser encarado como um sinal de abertura e de reconhecimento de competência a alguém fora do seu quadrante político, ficam nuances extremamente negativas dessa iniciativa: primeiro, o facto de não ter sido assumido como tal (e quanto a "transparência" estamos conversados); segundo, o facto de parecer estar associado a uma forma sub-reptícia de exercício de influência sobre a agenda do partido originário dessa militante; terceiro, o facto de o convite ser feito a troco de um apoio eleitoral, e não pós-eleitoral; quarto, o facto de parecer apontar a uma militante cronicamente pouco esclarecida nos seus princípios e preferências ideológicas.
Mas eis que - e aqui regressamos à "inocência" do timing, o PSD se vê privado de qualquer benefício daí resultante, por culpa própria mas também por culpa de outrém. Primeiro, a sentença de Isaltino Morais, justamente apontado por Marques Mendes (ainda que de forma não explícita) como um dos casos de falta de ética e de respeito pela Lei (agravado por se tratar de um ex-magistrado, o que é em si mesmo extremamente significativo do estado da Justiça em Portugal), e a cuja conduta e eventuais repercussões na constituição das listas do PSD a melhor resposta dada por Manuela Ferreira Leite foi um não-me-obriguem-a-tomar-posições-sérias-para-não-me-cair-a-máscara traduzido num ridículo "a época de constituição de listas não é a altura certa para pensar em quem tem, na realidade, carácter para fazer parte de listas". Apetece perguntar-lhe que timing melhor conhece mas descobrimos depois que essa patética reacção se prendia com a imposição, por si colocada, de nomes de dois arguidos à lista do PSD por Lisboa (e quanto a "falar verdade" também aqui estamos conversados).
Mário Soares afirma recentemente que a escolha entre os dois partidos de centro não é um acto de discriminação política, mas uma atitude de realismo. Apetece responder ser essa, provavelmente, a razão pela qual a política em Portugal se tornou o nojo que hoje constitui. Com os exemplos dados por ambos, PSD e PS, não admira que "falar verdade" e ser "transparente" tenham deixado de ser critério.
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Outro campeonato
Devia ter-nos surpreendido o prolongado período que Jardim cumprira já sem partilhar com o resto dos portugueses o conjunto de alucinações a que dá eufemisticamente a designação de "ideias". Durava há já demasiado tempo, e provavelmente, essa ausência de mediatismo nacional foi demasiado para a sua pronunciada circunferência física tolerar. Talvez tenha sido insolação. Ou apenas pura senilidade. É um estado de caso que felizmente ninguém fará.
Desta vez, entre outras bizarrias próprias de quem abdicou há muito de qualquer racionalidade, honestidade, pudor ou vergonha, Jardim atira a toalha nacional: convencido de que ninguém no seu próprio partido teria a suprema infelicidade de querer apoiar uma candidatura sua ao lugar de Presidente de uma República - que gosta de afirmar recusar mas que, secretamente, inveja e cobiça - decidiu criar o seu próprio campeonato, um no qual quer poder servir de árbitro e de concorrente. Na prática, é como se o Benfica criasse um campeonato só com o Atlético e o Casa Pia, mas nomeando para a arbitragem o presidente do clube. Ou seja, é mais ou menos o que se supõe acontecer com o FC Porto e a Liga...
Em que se traduzem as mais recentes manifestações de verborreia jardinista? Recusar a interferência de "órgãos estranhos, como são os órgãos de soberania", ou seja, os da República de que faz parte, e que são eleitos com uma legitimidade com que Jardim apenas pode sonhar. Ou criar o cargo de presidente da Região Autónoma, que cumula a posição de chefe do Governo Regional, mimetizando os poderes de promulgação e veto do Presidente da República.
Não tenho dúvidas que se esta proposta fosse de voto apenas madeirense, que infelizmente muitos votaria a favor, nem que fosse pela coacção implícita que sobre a população pende há já muitos anos. E nesse particular é quase curioso que Jardim se pronuncie sobre o Comunismo e o Fascismo como regimes autoritários: a menos, claro, que esteja a fazer auto-crítica, mas a Comunicação Social está muito longe de constituir o divã de um terapeuta - mesmo que Jardim se reserve o direito de a considerar o seu recreio.
Membro de um partido que o tolera com desdém e asco, era bom que Manuela Ferreira Leite tomasse a mesma decisão de Marques Mendes, e decidisse deixar de se rever nesta figura anedótica mascarada de político.
Desta vez, entre outras bizarrias próprias de quem abdicou há muito de qualquer racionalidade, honestidade, pudor ou vergonha, Jardim atira a toalha nacional: convencido de que ninguém no seu próprio partido teria a suprema infelicidade de querer apoiar uma candidatura sua ao lugar de Presidente de uma República - que gosta de afirmar recusar mas que, secretamente, inveja e cobiça - decidiu criar o seu próprio campeonato, um no qual quer poder servir de árbitro e de concorrente. Na prática, é como se o Benfica criasse um campeonato só com o Atlético e o Casa Pia, mas nomeando para a arbitragem o presidente do clube. Ou seja, é mais ou menos o que se supõe acontecer com o FC Porto e a Liga...
Em que se traduzem as mais recentes manifestações de verborreia jardinista? Recusar a interferência de "órgãos estranhos, como são os órgãos de soberania", ou seja, os da República de que faz parte, e que são eleitos com uma legitimidade com que Jardim apenas pode sonhar. Ou criar o cargo de presidente da Região Autónoma, que cumula a posição de chefe do Governo Regional, mimetizando os poderes de promulgação e veto do Presidente da República.
Não tenho dúvidas que se esta proposta fosse de voto apenas madeirense, que infelizmente muitos votaria a favor, nem que fosse pela coacção implícita que sobre a população pende há já muitos anos. E nesse particular é quase curioso que Jardim se pronuncie sobre o Comunismo e o Fascismo como regimes autoritários: a menos, claro, que esteja a fazer auto-crítica, mas a Comunicação Social está muito longe de constituir o divã de um terapeuta - mesmo que Jardim se reserve o direito de a considerar o seu recreio.
Membro de um partido que o tolera com desdém e asco, era bom que Manuela Ferreira Leite tomasse a mesma decisão de Marques Mendes, e decidisse deixar de se rever nesta figura anedótica mascarada de político.
A imbecilidade em que nadamos
Não vivemos num país agradável. Os nossos cidadãos não são afáveis. Resmungamos, desconfiamos, ultrapassamo-nos, opinamos sobre a vida uns dos outros. Sabemos sempre melhor que. Desenganemo-nos: para fazer de Portugal um país onde viver seja um benefício, era necessário começar de novo. Reeducar a população inteira. Explicar novamente porque é que ser desonesto não devia ser sequer uma opção, porque é que poder fazer algo não significa que deva ser feito. Explicar que tratar outrém com paternalismo diz mais mal de nós que da pessoa subestimada. Que o cidadão deve ter condições para se envolver, e não desculpar com essa ausência dessas condições a sua exclusão. Devíamos todos exigir mais, fazer melhor. Todos os dias leio, ouço, acompanho algo que me faz ter vontade de sair daqui. Não somos exemplo para quem quer que seja, e espanta-me sempre que alguém sinta ter tão pouco que estar aqui seja preferível a estar noutro lugar. Defendemos coisas inenarráveis apenas porque sim, porque a moral e tal e pronto. Porque sempre se fez assim, dizem. Exacto: com os resultados que se conhecem. A classe política, a classe jornalística, os quadros de topo, os atletas, as autoridades: é preciso varrer toneladas de joio para encontrar um grão de trigo, alguém que saiba falar português, que seja educado. Temos um país medíocre porque somos, todos, em alguma medida, pessoas medíocres. Não é simpático dize-lo, mas é desonesto não reconhecer que é verdade. Tenhamos todos essa coragem. Ou então resignemo-nos de vez à imbecilidade em que nadamos.
terça-feira, 14 de Julho de 2009
O mais doloroso e valioso sorriso do mundo, para vergonha de cada um de nós
Dead Can Dance, "The host of seraphim".
Esta é a nossa casa. Isto é o que fizemos dela. Não é possível ver estas imagens e não sentir que estamos a avançar na direcção errada. Como foi que fizemos isto?...
De que vale a riqueza, o banquete, a conta, a roupa, o estatuto, perante o sorriso de quem ilumina o seu dia com os despojos de outrém...?
Memórias
Madredeus, "O pastor"
"Ao largo ainda arde
a barca da fantasia
o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo ainda arde
o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria"
Uma vertigem que, por alguma razão, me parece sempre descrever a descida ao Inferno de Dante.
O que temos, o que merecemos
Portugal amparou com ambas as mãos um coração pequeno, e atirou de uma pena o Estado de Direito ao mar. Uma adolescente engravida de uma brincadeira estúpida com um outro adolescente ainda mais inacreditavelmente ignóbil. Brincar com coisas sérias costuma ter resultados tristes. A mãe da adolescente, incapaz de assumir culpas próprias na educação que (não) deu, disfarça a sua palidez com a alegria da oportunidade segunda de ser mãe, como se a primeira tentativa não tivesse produzido triste pecúlio. Na prática, três adolescentes, e uma criança, indesejada por todos, recusada inicialmente pelo próprio "pai", é, com todo o direito e mais sensatez possível, entregue para adopção. Que faz a mãe da adolescente? Queixa-se de si própria? Não: da justiça. Que faz a mãe adolescente mal-engravidade e ainda menos instruída? Queixa-se da parvoíce da brincadeira sexual numa era em que só não tem informação quem não quer te-la? Não: da justiça. Que faz o país? Queixa-se do seu sub-desenvolvimento, e procura explicações em dezenas de políticas e políticos ineptos, desonesta ou alheadamente incompetentes, e exige mudanças? Não: questiona a lei.
É o que temos. De que serve ter a civilização a estas pessoas? De absolutamente nada. E absolutamente nada é o futuro que espera a mãe heróica que devia ter tido a cabeça onde teve o genital, o pai que, enfim, devia ter lido outro tipo de BD, a avó cuja maturidade equivale à do nascituro, e este último. O futuro em que a razão é substituída pelo mediocre "coraçãozinho pequenino que a gente até tem pena, coitadinho do menino, ele não tem culpa, deem-no à mãe que até é boa moça tem 15 anos mas vai dar um futuro radioso ao pequenino".
Ridículo, este país. Ridículo.
É o que temos. De que serve ter a civilização a estas pessoas? De absolutamente nada. E absolutamente nada é o futuro que espera a mãe heróica que devia ter tido a cabeça onde teve o genital, o pai que, enfim, devia ter lido outro tipo de BD, a avó cuja maturidade equivale à do nascituro, e este último. O futuro em que a razão é substituída pelo mediocre "coraçãozinho pequenino que a gente até tem pena, coitadinho do menino, ele não tem culpa, deem-no à mãe que até é boa moça tem 15 anos mas vai dar um futuro radioso ao pequenino".
Ridículo, este país. Ridículo.
Música para apagar a luz e sentir todo o corpo 3
Madredeus, "As cores do sol"
Das poucas músicas no mundo que me enraivecem e me magoam. Por razões que não explicarei.
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